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Você gerencia as gerações?

Publicado Por: ADP LATAM on 11 julho 2017 in Gestão do Capital Humano, Non classé

Uma mesma situação é considerada muito positiva por um grupo de funcionários e muito negativa por outro, dentro da mesma empresa. O leitor já teve essa experiência? Tamara Erickson aposta que cada vez mais gestores vêm presenciando isso, pois fez recentemente uma pesquisa para descobrir como as organizações de sucesso inovam por meio da colaboração entre as pessoas, mesmo as diferentes.

Erickson, que integra o prestigioso ranking dos maiores pensadores da gestão mundial, o Thinkers 50, diz, em conversa exclusiva a HSM Management, que “quem lidera uma equipe multigeracional tem de aprender a contar até dez” e deve “desenvolver mais empatia entre os membros da equipe, além de dividir outras valiosas descobertas. Ela utiliza o Brasil como exemplo ao distinguir os pontos de vista diversos das gerações.

Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista selecionados pelo blog:

 

A sra. tem escrito muito sobre as gerações no ambiente de trabalho. Qual o panorama atual?

Hoje, existem até quatro gerações diferentes atuando em uma empresa, cada uma delas com seu ponto de vista próprio. A mesma situação pode parecer muito positiva para os indivíduos de uma geração e muito negativa para os de outra. Nosso modo de ver o mundo é formado entre os 11 e os 14 anos de idade, quando desenvolvemos as primeiras ideias conceituais; começamos a pensar como é o mundo, o que é importante e em quem devemos confiar. Assim, chegamos ao ambiente de trabalho com conclusões muito diferentes sobre se é possível confiar nas pessoas e nas autoridades, se o dinheiro é uma motivação válida, se estamos dispostos a adiar a conquista de benefícios ou se queremos tudo agora mesmo.

 

Como essas diferenças se manifestam? O que motiva as pessoas?

Como falei anteriormente, a maioria das principais diferenças de perspectiva se forma antes da puberdade. Vamos pensar na América Latina, no Brasil, por exemplo. Uma pessoa que agora tem 65 anos cresceu quando o país vivia sob a ditadura. Mal começava a se abrir para o investimento estrangeiro e, com a chegada das empresas de fora, havia movimentos de nacionalização. Era um momento de baixa autoestima e as pessoas não tinham ambição de assumir a liderança nos negócios ou de tornar-se empreendedoras.

O Brasil entrou na democracia na época da geração X e emergiu como potência dominante com a geração Y. Hoje, diferentes aspirações existem simultaneamente. A geração Y quer muito se beneficiar do que o mundo lhe pode oferecer e está bem orgulhosa do papel do País no cenário mundial.

Resumindo, poderíamos dizer que as motivações mudam de acordo com os períodos geracionais.

 

Quais são os conflitos mais frequentes entre as gerações no trabalho?

Os mais comuns têm a ver com a percepção do tempo e, geralmente, são motivados pela tecnologia. Para as pessoas com mais idade, é importante estar fisicamente juntas em um mesmo lugar e à mesma hora, enquanto os mais jovens consideram perfeitamente normal trabalhar de maneira assíncrona. Nesses casos, não podemos tirar conclusões apressadas. Nenhuma das posições é a mais ou menos correta; são percepções diferentes.

Outro conflito que observo com frequência tem a ver com o que as pessoas sentem quando recebem uma proposta de mudança para outra cidade. Se alguém cresceu com a ideia de que uma mudança representa reconhecimento a seu trabalho, recebe a notícia de um jeito. Mas, se o indivíduo, como muitos da geração X, não confia nas instituições, nem se sente amparado por elas, ficará preocupado com a novidade.

 

Como é possível liderar e inspirar uma equipe com experiências e objetivos tão diferentes?

Em primeiro lugar, quem lidera uma equipe multigeracional tem de aprender a contar até dez. Em outras palavras, não deve tirar conclusões precipitadas quando alguém reage de certa maneira. O líder não pode julgar negativamente se a reação de uma pessoa, ao receber feedback, ter um horário modificado ou saber da possibilidade de uma promoção, é diferente da que ele teria se estivesse em seu lugar.

Em segundo lugar, ele precisa desenvolver maior empatia entre os membros da equipe, ajudá-los a entender que é normal que diferentes pessoas tenham visões diversas sobre uma mesma situação e evitar que uns julguem os outros ou tirem conclusões negativas com base nas próprias percepções.

 

Que estratégias de comunicação podem adotar os líderes que trabalham com equipes globais?

A primeira sugestão é que despertem confiança e reservem um tempo para a comunicação olho no olho, para entender de onde vêm essas pessoas, como se formaram, como enxergam o mundo, quais são suas aspirações. Depois, quando conhecê-las melhor, podem utilizar a comunicação digital no dia a dia.

 

Qual é o papel dos mentores no desenvolvimento do talento?

O mentoring cumpre um papel muito importante, especialmente com os funcionários mais jovens, que de fato buscam a ajuda de seus colegas mais velhos. Mas o inverso também é verdadeiro: os mais velhos podem aprender com os jovens, por exemplo, a usar melhor a tecnologia ou a colocar em prática novas maneiras de trabalhar.

 

Quais são os principais desafios de um ambiente de trabalho onde convivem todas as gerações?

Apesar de acreditar que pessoas de qualquer idade possam fazer contribuições importantes, sou uma admiradora da geração X. Um dos grandes desafios das empresas é tirar os boomers dos postos de liderança e passar essa responsabilidade formal à geração X. Se analisarmos a maneira como o presidente Barack Obama estruturou sua equipe, comprovaremos que muitos dos membros de seu gabinete são boomers, mas grande parte dos cargos operacionais da Casa Branca está nas mãos da geração X. É uma boa ideia manter os boomers em posições que possibilitem que contribuam com seu critério e sua experiência, mas dando grande parte da autoridade operativa para quem tem entre 30 e 50 anos.

TAGS: adp ambiente de trabalho geração gerações gerencia gerenciamento Gerenciamento de Capital Humano

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